Conceito Bobath

Publicado: 13/02/2011 em Neurologia

DEFINIÇÃO:

O Conceito Neuroevolutivo/Bobath é uma abordagem terapêutica e de reabilitação que prioriza a solução de problemas de função, movimento e tônus, e foi desenvolvido para indivíduos com patofisiologia de SNC. Trabalha com a facilitação do movimento, ou seja, solicita-se ajustamentos automáticos da postura, a fim de produzir uma atividade através de reações automáticas de proteção, endireitamento e equilíbrio. A partir da compreensão e percepção do movimento normal,  usa-se a facilitação de movimentos e posturas seletivas, objetivando-se um aprimoramento da qualidade da função, melhorando a qualidade de vida dos pacientes neurológicos.

HISTÓRIA:

Foi constituído principalmente pelo trabalho do Neuropediatra alemão Dr Karel Bobath e de sua esposa a Fisioterapeuta Berta Bobath, através de 25 anos de pesquisa, o qual iniciou e se desenvolveu através de experiências clínicas.

Em 1943 Mrs. Bobath foi chamada para atender um pintor famoso com uma hemiplegia grave direita. O braço estava rigidamente em flexão, à mão inchada e com Síndrome ombro-mão.

Inicialmente ela fez vibração no deltóide e percebeu que nada acontecia e começou a mover o braço e observar as reações do paciente. Ela estendeu o braço até ela sentir resistência. Repedindo a tentativa de estender o braço ela percebeu que o braço cedia cada vez mais e finalmente ela conseguiu estender o braço todo. Mrs. Bobath concluiu então que podia influenciar e/ou modificar o tônus muscular através do manuseio-movimento.

Ela observou também que a redução da espasticidade no cotovelo resultava em menos espasticidade no punho e dedos, e conclui então que trabalhando proximalmente na cintura escapular poderia influenciar e reduzir a espasticidade de todo o braço.

Junto com a espasticidade o paciente apresentava a dificuldade de perceber o braço. O esquema corporal estava alterado devido um desvio da propriocepção. Verificou-se a alteração de tônus muscular cursa muitas vezes também com alteração da sensação. Hoje se sabe que o problema pode ser mais complexo e considera-se que quando há uma lesão central que o problema é sócio-psico-sensomotor.

A IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA:

Esta técnica enfatiza a inibição/integração de padrões posturais primitivos, promove o desenvolvimento de reações posturais normais, e tem uma meta importante: a normalização do tônus anormal. É dirigida para a melhora da função motora.

Com os estímulos de transferência de peso, tais como exercícios em bola suíça, rolos, andadores, entre outros, o paciente aprende a obter um maior controle proprioceptivo e noção espacial.

O tratamento deve ser o mais precoce possível. Se a criança ainda for muito pequena, tendo movimentos mais primários que anormais, podemos auxiliá-la a estabelecer os esquemas mais fundamentais de um modo quase normal seguido tão de perto quanto possível às etapas do desenvolvimento motor da criança normal.

PONTOS CHAVE DE CONTROLE:

São as partes do corpo através dos quais podemos controlar e modificar os padrões postura e de movimento em outras partes do corpo. Eles podem inibir, facilitar e estimular. Estes pontos chave podem ser:

  • Cabeça;
  • Proximais: ombros e quadris;
  • Mediais: cotovelos e joelhos;
  • Distais: punhos e cotovelos.

Pontos chave nos braços e na cintura escapular proporciona:

  • ROTAÇÃO INTERNA: leva à flexão global.
  • ROTAÇÃO EXTERNA: leva à extensão global.
  • ABDUÇÃO HORIZONTAL com rotação externa e supinação mais extensão de cotovelos: Inibe flexão global e leva a postural igual a descrita em MMII.
  • ELEVAÇÃO dos braços com rotação interna : inibe a flexão e pressão para baixo dos braços e cintura escapular e auxilia na extensão de tronco, quadris e MMII. Na EXTENSÃO dos braços na diagonal para trás ocorre a mesma função.
  • ABDUÇÃO DO POLEGAR com braço em supinação: facilita a abertura dos dedos (o punho deve estar em extensão).

Pontos chaves em pernas e pelve:

  • FLEXÃO DAS PERNAS: facilita a abdução, rotação externa e dorsiflexão.
  • ROTAÇÃO EXTERNA com extensão: facilita a abdução e dorsiflexão.

TÉCNICAS DE PROPRIOCEPÇÃO E ESTIMULAÇÃO TÁTIL:

São técnicas usadas para modular o tônus, facilitar o controle postural e a direção do movimento em pacientes com hipotonia ou com deficiência na inervação recíproca. Tem a função de interagir ação de músculos agonistas e antagonistas.

Principais técnicas de estimulação:

1) Suporte de peso, pressão (compressão), resistência.

Em crianças espásticas (aumento do tônus muscular envolvendo hipertonia e hiperreflexia, no momento da contração muscular) as posturas estáticas devem ser evitadas. Deve-se estimular os movimentos de ajustamento através de transferência de peso constante em grandes amplitudes, para os lados, para frente, para trás, e diagonalmente, enquanto damos pressão e resistência. Isso pode ser feito em várias posições e atividades (supino, prono,sentada, em pé e andando.

Criança atáxica (flutuações entre hipotônico e normal) ou atetóide: as mesmas técnicas de forma mais estática em pequenas amplitudes.

2) Placing (Colocação) e Holding (Manutenção):

Placing é um termo usado para descrever a habilidade do paciente em interromper um movimento em qualquer etapa, automaticamente ou voluntariamente.

No tratamento o corpo e membros do paciente são colocados em várias posições e ele é requisitado a manter (holding) e controla-los sem ajuda, em grande variedade de padrões funcionais e em várias etapas e em diversas amplitudes de um movimento.

3) Tapping:

Tapping é usado frequentemente em combinação com placing. É usado para aumentar o tônus postural do tronco e dos membros através  de estimulação proprioceptiva e tátil em atáxicos e atetóides.

Não deve ser usado na presença de espasticidade ou hipertonia. Nos espásticos pode ser usado para estimular as reações de equilíbrio.

É dividido em quatro diferentes formas:

  • Tapping de Inibição: Ativa grupos musculares fracos que não conseguem contrair-se como resultado da atividade excessiva dos  músculos antagonistas hipertônicos);
  • Tapping de Pressão: Serve para aumentar o tônus postural para a manutenção da postura contra gravidade; É feito para obter co-contração para manutenção da postura; Ativa a contração simultânea de agonistas e antagonistas; É usado em atetóides e atáxicos que tem mobilidade excessiva, falta de fixação e não sustentação do tônus postural.
  • Tapping Alternado: Serve para obter graduação apropriada da inervação recíproca e para estimular as reações de equilíbrio.
  • Tapping por Deslizamento: Serve para ativar padrões sinérgicos da função muscular pela estimulação de grupos musculares específicos responsáveis por aquela ação, com um movimento de alisar firme na direção do movimento desejado.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

UMPHRED, Darcy Ann. Fisioterapia Neurológica, segunda edição, 1994. Editora Manole.

http://www.cemm.com.br

http://www.apaesalvador.org.br

http://www.anitamulher.com.br

http://www.cemm.com.br

http://www.cpep-fisio.com.br

http://www.drashirleydecampos.com.br

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Comentários
  1. nelson disse:

    como faz um tapinng alternado

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